Acervo Digital

Banner Além dos Verdes


Galeria de Obras

Arte Amazônica, Sustentabilidade e Identidade Cultural

A exposição é organizada a partir de cinco painéis cenográficos que estruturam o caminho do visitante por diferentes experiências. A composição dos painéis propõe uma atmosfera própria, articulando obras, paisagens, sons, materiais e histórias que conduzem o público a percorrer visualmente e sensorialmente os diferentes temas da exposição, cruzando frestas, portas e janelas conceituais.

Núcleo 1

Abrigo e Conexões

O primeiro núcleo da exposição – Abrigo e Conexões – é inspirado nas habitações vernaculares e palafíticas amazônicas, criando uma atmosfera de acolhimento que remete às varandas, estivas e interiores das casas ribeirinhas. O espaço evidencia o acolhimento das varandas, estivas e interiores ribeirinhos – espaços de sociabilidade onde a casa se estende, unindo o rio à floresta.

Segundo Silva e Azevedo (2025), habitar envolve uma conexão profunda com o ambiente, experienciada e interpretada de maneira emocional e sensorial pelos seres humanos. Nessa perspectiva, a arquitetura vernacular materializa-se como resultado da interação entre rio, humano e floresta, revelando formas de resiliência e sofisticação ecológica.

Núcleo 2

Fortes e Rios

Para o segundo núcleo – Fortes e Rios – a estrutura destaca a parede externa da Fortaleza de São José de Macapá com um agrupamento de obras que comunicam um registro histórico-documental, as transformações urbanas de Macapá e o confronto entre a imobilidade da pedra secular e o fluxo efêmero das ruas.

Fortes são os corpos que, como as águas do rio, não aceitam a rigidez do passado e continuam a correr. Essa dinâmica revela mudanças que reconfiguraram seu entorno ao longo do tempo, transformando vestígios coloniais em um suporte de reflexão e crônica urbana.

Núcleo 3

Cultura e Tradição

O terceiro núcleo – Cultura e Tradição – evidencia uma estrutura sinuosa com o formato da fachada de uma embarcação local em cores vibrantes (amarelo/azul/vermelho), batizado com a tradicional escrita náutica ribeirinha de “Nossa Senhora de Nazaré”, dá passagem e serve de suporte para a subsistência e o labor tradicional, caminhos, memórias e o imaginário que cruzam as águas doces e a presença sagrada e que sela o sincretismo, a devoção e o respeito profundo aos mistérios e fluxos do rio-mar.

Núcleo 4

Seres da Floresta

O quarto núcleo – Seres da Floresta – se estrutura em camadas que recortam o perfil dos edifícios em expansão na cidade de Macapá ocupado por imagens que questionam as urgências de uma Amazônia urbana com cidades densas, formadas por fluxos migratórios, dinâmicas de consumo aceleradas e conflitos sociais profundos; emergências tão críticas e vitais quanto os crimes ambientais que sufocam as matas e as comunidades ribeirinhas distantes.

No espaço expositivo, simbolicamente, à frente e atrás – ao redor – das barreiras de prédios, a rigidez do cimento coabita com a espiritualidade originária, com as lendas e o respeito sagrado ao ecossistema invisível.

Núcleo 5

Morada das Marés

O quinto núcleo – Morada das Marés – deixa para trás as silhuetas de concreto e o visitante deságua no espaço final da exposição. O quinto núcleo traz reflexões e reproduz a fachada volumétrica de uma autêntica casa em palafitas em tom roxo vibrante, apoiada sobre esteios físicos, demarcando o ciclo das marés. Longe de ser um cenário estático, a tipologia habitacional é proposta aqui como herança urbanística.

“A tipologia habitacional e a morfologia urbana de cidades ribeirinhas sobre palafitas e estivas (…) são passíveis de valoração enquanto patrimônio cultural brasileiro, pois representam um modo de ocupação reproduzido por séculos e que ainda sobrevive mesmo diante de inúmeras influências globais e homogeneizantes.”
– Fernando José Mesquita (2017, p. 19)

Referências

Referência 1

SILVA, … ; AZEVEDO, … . Sobre o habitar amazônico. 2025. Discussão sobre a conexão profunda do habitar com o ambiente, vivenciada de maneira emocional e sensorial.

Referência 2

MESQUITA, Fernando José. A tipologia habitacional e a morfologia urbana de cidades ribeirinhas sobre palafitas e estivas. 2017, p. 19.

Oficinas de Formação Cultural